I
Porque, qual dos homens sabe as coisas do
homem, senão o espírito do homem, que nele está? -1 Coríntios 2: 11
Por mais que alguém queira e
se empenhe por desvendar os mistérios da mente humana, esta continuará sendo um
poço escuro e misterioso, um labirinto sem fim onde ideias são geradas e os
desígnios mais incompreensíveis surgem de um momento para o outro como o estrondo
inesperado de uma explosão. O homem continua a ser um mistério a ser revelado. Em
seus milhares de anos de existência ainda continua sendo uma incógnita, havendo
ainda muitas perguntas a seu respeito
que ser respondidas.
Nascer e morrer são uma lei e um mistério,
onde nascer é alegria e o morrer é a tragédia. Por quê? É a pergunta que nunca
se cala. Por que o homem tem que vir ao mundo e, ainda mais, por que é que tem,
por assim dizer, no melhor de sua vida ir-se sem ver algum resultado de sua permanência
aqui? Será que seus desacertos se devem justo ao fato de não saber a que veio? Pode
ser. Não obstante alguns atos brilhantes de certos “iluminados” que redundam em
beneficio para os bilhões de humanos na terra, outros incontáveis vem e vão sem
que deixem o rastro de sua passagem ou uma fagulha que seja para que deles se
lembrem os outros que ainda ficaram algum tempo por aqui.
Dos grandes mistérios da
humanidade, um que figura como um dos maiores reside no fato da capacidade que os
homens têm de crer, onde cada uma a seu modo cria uma entidade superior
desenvolvendo fé, de onde derivam a
certeza de que são protegidos, abençoados, castigados ou mesmo salvos
por tal entidade superior. Mas como isso se dá? Como alguém pode “criar” algo em
que crer e, mesmo sabendo ser algo concebido por si, ainda ser capaz de
acreditar em tal? Bem, de fato é um assunto em que se pensar. Porem, considerando
as milhares de formas de se acreditar em seres superiores, ou homens
iluminados, espalhadas mundo afora, não resta dúvida de que a fertilidade da
mente humana vai muito além do que o próprio homem possa explicar pelas letras.
Derivar-se-ia tudo isso da incapacidade que os homens têm de responder suas
muitas perguntas e não conseguir explicar de maneira racional a própria existência,
sendo este a si mesmo um mistério? Talvez seja. Considerando que olhamos o céu
e vemos aquilo que imaginamos como mundos distantes e inalcançáveis e que a própria terra e seus habitantes é um
grande mistério, talvez seja a forma encontrada de vencermos a frustração de
nos vermos inúteis diante de tanta complexidade e grandeza.
Dizer que não restam dúvidas
de que a realidade humana não vai além do que já foi escrito acima, estaria
muito errado. As interrogações se enfileiram e as dúvidas vão muito além do que
algumas poucas palavras possam esclarecer. Em se tratando da razão a barreira
para o esclarecimento se faz maior e mais intransponível a cada pergunta
formulada e a cada descoberta. A razão, como algo que seria a capacidade de
manter-nos plantados e inabaláveis em nossas convicções, por onde poderíamos nos
ver e explicarmo-nos, é, de fato, um dos grandes empecilhos à certeza de que as
respostas às nossas infindas indagações vão muito além de artefatos
desenterrados, ossos encontrados e teorias evolucionistas que mais confundem
que aclaram as mentes ávidas por saber, por descobrir a origem das coisas e o
ponto de partida na historia, onde tudo começou e nós surgimos por aqui. Contudo,
sem querer reivindicar a pretensão de explicar, de esclarecer aqui as duvidas e
perguntas que também são minhas, quero, isto sim, dar-vos um motivo para pensar,
colocar mais algumas interrogações no conjunto das já incontáveis existentes.
É o homem realmente um homem,
ou só um programa de computador rodando incessantemente? Esta realidade que
conhecemos, não seria apenas produto de circuitos eletrônicos interligados, que
age gerando na verdade uma realidade virtual onde tudo e todos não passam de programas
interdependentes que rodam incessantemente? O fato de certos, embora poucos,
homens que por aqui passaram demonstrarem uma notável capacidade de criar; de
inventar, gerar pensamentos revolucionários, idealizar expressões matemáticas
complexas não nos deixa com alguma dúvida a mais? Seriam na realidade programas
a rodar em uma gigantesca maquina ao invés de homens criativos e deveras notáveis?
E a mente humana continua a
inventar! A gerar pensamentos e indagações que levam a outras indagações e o
processo se repete ao longo dos tempos, e gerações após gerações continuarão a
incomodar, a tirar o sono de muitos. Como dar uma razão plausível para tanto? Qual
será o fim de tudo? É outra incógnita. Do que se tem realmente certeza é que o
homem nasce e morre. Obrigatoriamente acontece e não há como escolher. Aquele que
está diretamente implicado na questão não tem para onde fugir. O resto, bem, são
apenas suposições, é claro em certos aspectos muito interessantes.
Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os
aleivosos serão dela exterminados. Provérbios 2:22
Suposições, meras conjecturas!
Tudo que o homem tem “inventado” sobre si mesmo não passa de raciocínios ilógicos,
equação da qual sempre resultara um fator insolúvel, um resto indivisível! Diante
disso, a pergunta: De tudo o que temos pensado ou tido como verdadeiro, qual a
parte que é realmente nossa? Digo, pensamos os nossos próprios pensamentos ou
somos induzidos a pensar o pensamento coletivo, aceito e seguido pela maioria? É
outro dos grandes problemas humanos: Ser aceito pelo demais, ainda que isso lhe
custe a personalidade e identidade próprios.
Passar pela vida sem deixar
uma marca ou algo pelo que ser lembrado, será o trágico destino daquele que se
conforma, que se entrega ao ortodoxo. Por milênios os homens nascem, sobrevivem
e morrem. No que tange sobreviver, engloba-se tudo o que redundará da trajetória
de cada um até o dia em que sua última pegada será coberta pela lápide fria do
túmulo. No percurso ____aqueles que alcançam realiza-lo porque obviamente
alguns se vão aos primeiros raios de sua alvorara ____cada homem tem sua
oportunidade. O que fazer desta é o que cabe a ele, supõe-se. Entretanto seria hipocrisia
dizer que isso é verdade. De fato espera-se que aquele que passa a engrossar as
fileiras dos viventes, faça exatamente como lhe será determinado a partir do
exato momento em que este “se der por gente”, momento em que passa a ter um mínimo
de compreensão do funcionamento das gigantescas engrenagens que mantem tudo
girando nos eixos. Por esta visão percebemos que o mesmo homem que não pode escolher
vir ao mundo e muito menos ir-se deste, de fato é restringido até mesmo do que ser
e como viver o curto espaço de sua estadia aqui. Logo, de algum modo somos
programas. Softwares sofisticados que realizam exatamente as tarefas para as
quais é programado, aspecto sofisticadamente apelidado de Harmonia. O que de
fato não deixa de ser um nome bonito, entretanto não ser cumprido o que dele se
subtende, porque desde que se é imposta obrigações, então não há harmonia, mas atos
resultantes do temor. O temor da pena, da não aceitação, do medo de por em
destaque devido não realizar exatamente o que é esperado. E no fim dizemos sermos
os donos de nosso próprio destino, que a ou b nada tem a ver com respeito às
nossas decisões e atos. Santa hipocrisia! O
homem jamais foi ou será o dono de seu próprio destino. Suas obras serão causa
de julgamentos e de seus atos lhe resultarão recompensas quer para o bem quer
para o mal. Todo o olho que o ver o julgará, medindo-o com a medida exata que
lhe couber. Se justo não passara despercebido, nem se injusto ficará no
anonimato. Como parte de um todo, não há como ficar escondido. Do mesmo modo
que um vírus em um computador precisa ser extirpado para o perfeito
funcionamento e segurança da maquina, nessa realidade em que vivemos não é
diferente. Tudo aquilo que não cooperar para o perfeito funcionamento do todo, necessário
é que seja extirpado. “És vírus ou software necessário à maquina”?
II
Tudo quanto te vier à mão para
fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais,
não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. Eclesiastes 9:10
Quem não gostaria
que fosse diferente? Quem não sonha acordar todos os dias sem o temor de que
aquele lhe será o último? Contudo finge-se! Embora a consciência de que sua
parte aqui não vai além do intervalo entre uma respiração e outra, o homem
finge que não é consigo e se entrega encarniçada e ferozmente à batalha onde
sua, padece e, embora alguns breves momentos de lamuria pela fatiga resultante
dai, alimenta esperanças, planeja,... Tudo bem que se andasse na contramão
dessa realidade, toda a humanidade estaria ainda residindo em cavernas. Mas,
uma pergunta: Há a necessidade de tanto, quando o tempo, o nosso tempo na
verdade é medido pelas circunstâncias, que na maioria das vezes é suprimida
pelo acaso? Interessante é saber que aquilo que produz uma geração, a seguinte
será a que desfrutará dos benefícios. Então por que empreender lutas muita além
daquilo que se pode vencer? Sim, porque no final o tempo será o vencedor e a
geração que vem recomeçara a batalha, imprimindo nessa a sua própria identidade
e os lutadores seus antecessores, serão apenas quadros na parede, datas para
comemorações, talvez uma estátua em alguma praça, nalgum jardim, ou
simplesmente cairão no poço escuro do esquecimento.
Geraldo R. Filho
30/12/2013




