segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Desconhecido

I

Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? -1 Coríntios 2: 11

Por mais que alguém queira e se empenhe por desvendar os mistérios da mente humana, esta continuará sendo um poço escuro e misterioso, um labirinto sem fim onde ideias são geradas e os desígnios mais incompreensíveis surgem de um momento para o outro como o estrondo inesperado de uma explosão. O homem continua a ser um mistério a ser revelado. Em seus milhares de anos de existência ainda continua sendo uma incógnita, havendo ainda muitas  perguntas a seu respeito que ser respondidas.

 Nascer e morrer são uma lei e um mistério, onde nascer é alegria e o morrer é a tragédia. Por quê? É a pergunta que nunca se cala. Por que o homem tem que vir ao mundo e, ainda mais, por que é que tem, por assim dizer, no melhor de sua vida ir-se sem ver algum resultado de sua permanência aqui? Será que seus desacertos se devem justo ao fato de não saber a que veio? Pode ser. Não obstante alguns atos brilhantes de certos “iluminados” que redundam em beneficio para os bilhões de humanos na terra, outros incontáveis vem e vão sem que deixem o rastro de sua passagem ou uma fagulha que seja para que deles se lembrem os outros que ainda ficaram algum tempo por aqui.

Dos grandes mistérios da humanidade, um que figura como um dos maiores reside no fato da capacidade que os homens têm de crer, onde cada uma a seu modo cria uma entidade superior desenvolvendo fé, de onde derivam a  certeza de que são protegidos, abençoados, castigados ou mesmo salvos por tal entidade superior. Mas como isso se dá? Como alguém pode “criar” algo em que crer e, mesmo sabendo ser algo concebido por si, ainda ser capaz de acreditar em tal? Bem, de fato é um assunto em que se pensar. Porem, considerando as milhares de formas de se acreditar em seres superiores, ou homens iluminados, espalhadas mundo afora, não resta dúvida de que a fertilidade da mente humana vai muito além do que o próprio homem possa explicar pelas letras. Derivar-se-ia tudo isso da incapacidade que os homens têm de responder suas muitas perguntas e não conseguir explicar de maneira racional a própria existência, sendo este a si mesmo um mistério? Talvez seja. Considerando que olhamos o céu e vemos aquilo que imaginamos como mundos distantes e inalcançáveis  e que a própria terra e seus habitantes é um grande mistério, talvez seja a forma encontrada de vencermos a frustração de nos vermos inúteis diante de tanta complexidade e grandeza.

Dizer que não restam dúvidas de que a realidade humana não vai além do que já foi escrito acima, estaria muito errado. As interrogações se enfileiram e as dúvidas vão muito além do que algumas poucas palavras possam esclarecer. Em se tratando da razão a barreira para o esclarecimento se faz maior e mais intransponível a cada pergunta formulada e a cada descoberta. A razão, como algo que seria a capacidade de manter-nos plantados e inabaláveis em nossas convicções, por onde poderíamos nos ver e explicarmo-nos, é, de fato, um dos grandes empecilhos à certeza de que as respostas às nossas infindas indagações vão muito além de artefatos desenterrados, ossos encontrados e teorias evolucionistas que mais confundem que aclaram as mentes ávidas por saber, por descobrir a origem das coisas e o ponto de partida na historia, onde tudo começou e nós surgimos por aqui. Contudo, sem querer reivindicar a pretensão de explicar, de esclarecer aqui as duvidas e perguntas que também são minhas, quero, isto sim, dar-vos um motivo para pensar, colocar mais algumas interrogações no conjunto das já incontáveis existentes.

É o homem realmente um homem, ou só um programa de computador rodando incessantemente? Esta realidade que conhecemos, não seria apenas produto de circuitos eletrônicos interligados, que age gerando na verdade uma realidade virtual onde tudo e todos não passam de programas interdependentes que rodam incessantemente? O fato de certos, embora poucos, homens que por aqui passaram demonstrarem uma notável capacidade de criar; de inventar, gerar pensamentos revolucionários, idealizar expressões matemáticas complexas não nos deixa com alguma dúvida a mais? Seriam na realidade programas a rodar em uma gigantesca maquina ao invés de homens criativos e deveras notáveis?

E a mente humana continua a inventar! A gerar pensamentos e indagações que levam a outras indagações e o processo se repete ao longo dos tempos, e gerações após gerações continuarão a incomodar, a tirar o sono de muitos. Como dar uma razão plausível para tanto? Qual será o fim de tudo? É outra incógnita. Do que se tem realmente certeza é que o homem nasce e morre. Obrigatoriamente acontece e não há como escolher. Aquele que está diretamente implicado na questão não tem para onde fugir. O resto, bem, são apenas suposições, é claro em certos aspectos muito interessantes.

Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados. Provérbios 2:22

Suposições, meras conjecturas! Tudo que o homem tem “inventado” sobre si mesmo não passa de raciocínios ilógicos, equação da qual sempre resultara um fator insolúvel, um resto indivisível! Diante disso, a pergunta: De tudo o que temos pensado ou tido como verdadeiro, qual a parte que é realmente nossa? Digo, pensamos os nossos próprios pensamentos ou somos induzidos a pensar o pensamento coletivo, aceito e seguido pela maioria? É outro dos grandes problemas humanos: Ser aceito pelo demais, ainda que isso lhe custe a personalidade e identidade próprios.

Passar pela vida sem deixar uma marca ou algo pelo que ser lembrado, será o trágico destino daquele que se conforma, que se entrega ao ortodoxo. Por milênios os homens nascem, sobrevivem e morrem. No que tange sobreviver, engloba-se tudo o que redundará da trajetória de cada um até o dia em que sua última pegada será coberta pela lápide fria do túmulo. No percurso ____aqueles que alcançam realiza-lo porque obviamente alguns se vão aos primeiros raios de sua alvorara ____cada homem tem sua oportunidade. O que fazer desta é o que cabe a ele, supõe-se. Entretanto seria hipocrisia dizer que isso é verdade. De fato espera-se que aquele que passa a engrossar as fileiras dos viventes, faça exatamente como lhe será determinado a partir do exato momento em que este “se der por gente”, momento em que passa a ter um mínimo de compreensão do funcionamento das gigantescas engrenagens que mantem tudo girando nos eixos. Por esta visão percebemos que o mesmo homem que não pode escolher vir ao mundo e muito menos ir-se deste, de fato é restringido até mesmo do que ser e como viver o curto espaço de sua estadia aqui. Logo, de algum modo somos programas. Softwares sofisticados que realizam exatamente as tarefas para as quais é programado, aspecto sofisticadamente apelidado de Harmonia. O que de fato não deixa de ser um nome bonito, entretanto não ser cumprido o que dele se subtende, porque desde que se é imposta obrigações, então não há harmonia, mas atos resultantes do temor. O temor da pena, da não aceitação, do medo de por em destaque devido não realizar exatamente o que é esperado. E no fim dizemos sermos os donos de nosso próprio destino, que a ou b nada tem a ver com respeito às nossas decisões e atos. Santa hipocrisia! O homem jamais foi ou será o dono de seu próprio destino. Suas obras serão causa de julgamentos e de seus atos lhe resultarão recompensas quer para o bem quer para o mal. Todo o olho que o ver o julgará, medindo-o com a medida exata que lhe couber. Se justo não passara despercebido, nem se injusto ficará no anonimato. Como parte de um todo, não há como ficar escondido. Do mesmo modo que um vírus em um computador precisa ser extirpado para o perfeito funcionamento e segurança da maquina, nessa realidade em que vivemos não é diferente. Tudo aquilo que não cooperar para o perfeito funcionamento do todo, necessário é  que seja extirpado. “És vírus ou software necessário à maquina”?



II



Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura, para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. Eclesiastes 9:10


Quem não gostaria que fosse diferente? Quem não sonha acordar todos os dias sem o temor de que aquele lhe será o último? Contudo finge-se! Embora a consciência de que sua parte aqui não vai além do intervalo entre uma respiração e outra, o homem finge que não é consigo e se entrega encarniçada e ferozmente à batalha onde sua, padece e, embora alguns breves momentos de lamuria pela fatiga resultante dai, alimenta esperanças, planeja,... Tudo bem que se andasse na contramão dessa realidade, toda a humanidade estaria ainda residindo em cavernas. Mas, uma pergunta: Há a necessidade de tanto, quando o tempo, o nosso tempo na verdade é medido pelas circunstâncias, que na maioria das vezes é suprimida pelo acaso? Interessante é saber que aquilo que produz uma geração, a seguinte será a que desfrutará dos benefícios. Então por que empreender lutas muita além daquilo que se pode vencer? Sim, porque no final o tempo será o vencedor e a geração que vem recomeçara a batalha, imprimindo nessa a sua própria identidade e os lutadores seus antecessores, serão apenas quadros na parede, datas para comemorações, talvez uma estátua em alguma praça, nalgum jardim, ou simplesmente cairão no poço escuro do esquecimento.

Geraldo R. Filho
30/12/2013









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