segunda-feira, 5 de maio de 2014

O TEMPO DE QUE PRECISAMOS




Nesta louca e desenfreada corrida em que todos nós nos encontramos, agora com jeito de mais desesperada que em tempos mais distantes em nosso passado, embora todos os nossos atos e decisões serem baseados em medidas de tempo, este nunca é suficiente, nunca nos permite realizar a contento aquilo que planejamos, então colhemos os males redundantes dos efeitos colaterais daí advindos. Quem é que pode dizer jamais ter se sentido irritado, frustrado ou mesmo desesperado ao se dar em uma situação onde não pôde concluir um projeto que a princípio pareceu bem elaborado e infalível? E nos culpamos, julgando-nos incompetentes. Daí, passarmos ao rol dos deprimidos é apenas questão de tempo. Como um fator resultante de varias situações frustrante ao longo da vida, me permita os profissionais da “Psico-Medicina”, a depressão nada mais é que sofrer do “Mal de não poder”. De fato esta talvez fosse a maneira mais apropriada de dar cara e nome para esse espectro maldito que assombra os porões dos conflitos existenciais de um número considerável de pessoas em todo o mundo. Por não poder realizar, por “não poder alcançar”, por “não poder adquirir”, por “não poder”... Por “não poder”... Começa-se daí a se perguntar qual é a sua parte no mundo e para que veio a ele. O tempo que antes assombrava com a sua pressa como um competidor implacável o tempo todo no encalço do adversário numa luta insana pela linha de chegado, torna-se então algo pavoroso que, se antes apenas competia, agora traz consigo o medo de todos os homens ___A expectativa da proximidade da Morte!  Então, a pergunta é: Qual é o tempo de que precisamos nesta corrida desenfreada onde antes, esquecendo-nos de que todos correm à uma linha de chegada depois da qual não existe vencedores, mas vencidos, corremos como se a corrida durasse indefinidamente? Nesse tempo de que precisamos, e na proporção a nós designada, pelo quê importa lutar, e qual a quantidade de esforço devo empregar? Com muita propriedade um dos sábios que escreveram a bíblia, registrou as seguintes palavras:
“Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura para onde tu vais, não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos. Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de repente sobre eles”. (Eclesiastes 9: 10-11)
Pelas palavras do sábio transcritas acima, o conselho é que tenhamos consciência de nossas limitações; que importa  saber que o que sucede ao nosso semelhante, também ocorre conosco; que viver de um modo que denote descaso com os imprevistos apenas nos acarretará surpresas desagradáveis e destas as frustrações que na maioria dos casos resulta em doenças da mente, como anteriormente já abordamos. Assim sendo, não é “O Tempo de que precisamos”, mas o tempo de que dispomos é que deve ser o mais importante para nós, pois quem é que pode dizer ser dono e senhor do próximo segundo a ser marcado pelo ponteiro do relógio?


Geraldo Ribeiro Filho  

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