Nesta
louca e desenfreada corrida em que todos nós nos encontramos, agora com jeito
de mais desesperada que em tempos mais distantes em nosso passado, embora todos
os nossos atos e decisões serem baseados em medidas de tempo, este nunca é
suficiente, nunca nos permite realizar a contento aquilo que planejamos, então
colhemos os males redundantes dos efeitos colaterais daí advindos. Quem é que
pode dizer jamais ter se sentido irritado, frustrado ou mesmo desesperado ao se
dar em uma situação onde não pôde concluir um projeto que a princípio pareceu
bem elaborado e infalível? E nos culpamos, julgando-nos incompetentes. Daí,
passarmos ao rol dos deprimidos é apenas questão de tempo. Como um fator
resultante de varias situações frustrante ao longo da vida, me permita os
profissionais da “Psico-Medicina”, a depressão nada mais é que sofrer do “Mal de não poder”. De fato esta talvez
fosse a maneira mais apropriada de dar cara e nome para esse espectro maldito
que assombra os porões dos conflitos existenciais de um número considerável de
pessoas em todo o mundo. Por não poder realizar, por “não poder alcançar”, por “não
poder adquirir”, por “não poder”...
Por “não poder”... Começa-se daí a se
perguntar qual é a sua parte no mundo e para que veio a ele. O tempo que antes
assombrava com a sua pressa como um competidor implacável o tempo todo no
encalço do adversário numa luta insana pela linha de chegado, torna-se então
algo pavoroso que, se antes apenas competia, agora traz consigo o medo de todos
os homens ___A expectativa da proximidade da Morte! Então, a pergunta é: Qual é o tempo de que precisamos nesta corrida
desenfreada onde antes, esquecendo-nos de que todos correm à uma linha de
chegada depois da qual não existe vencedores, mas vencidos, corremos como se a
corrida durasse indefinidamente? Nesse tempo de que precisamos, e na proporção
a nós designada, pelo quê importa lutar, e qual a quantidade de esforço devo
empregar? Com muita propriedade um dos sábios que escreveram a bíblia,
registrou as seguintes palavras:
“Tudo quanto te vier à mão para
fazer, faze-o conforme as tuas forças, porque na sepultura para onde tu vais,
não há obra nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma. Voltei-me, e
vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha,
nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem
tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a
todos. Que também o homem não sabe o seu tempo; assim como os peixes que se
pescam com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço,
assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando cai de
repente sobre eles”. (Eclesiastes
9: 10-11)
Pelas
palavras do sábio transcritas acima, o conselho é que tenhamos consciência de
nossas limitações; que importa saber que
o que sucede ao nosso semelhante, também ocorre conosco; que viver de um modo
que denote descaso com os imprevistos apenas nos acarretará surpresas
desagradáveis e destas as frustrações que na maioria dos casos resulta em
doenças da mente, como anteriormente já abordamos. Assim sendo, não é “O Tempo
de que precisamos”, mas o tempo de que
dispomos é que deve ser o mais importante para nós, pois quem é que pode
dizer ser dono e senhor do próximo segundo a ser marcado pelo ponteiro do relógio?
Geraldo
Ribeiro Filho

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