“Se existe alguma
distinção entre os dois extremos __Cativeiro e Liberdade__ tal é tão ínfima que
se faz imperceptível”. Geraldo R filho
Parte I
Por seus
ideais de liberdade, homens de todas as nações e épocas travaram as mais
ferrenhas batalhas, derramaram sangue, tiveram seu sangue derramado, e
incontáveis outros deram suas vidas pela pregação da utopia particular de
alguém que soube traduzir em palavras eloqüentes e cativantes, algo que parecia
ser grandioso e finalmente a salvação dos homens ___“O sonho da Liberdade”!
Não é obscuro
a ninguém que todas as fronteiras do mundo foram forjadas à base do aço que
retinia nas ferrenhas batalhas e que as nações foram concebidas sob as mais terríveis
dores, tendo os seus alicerces sobre o sangue daqueles que morreram para que
fosse fundada. Pelo sonho da liberdade
os homens davam-se aos braços da morte onde o ganho, segundo aqueles que os instigavam
na peleja, era um mundo livre para seus filhos e netos. Enfim, seus
descendentes depois deles, e por isso eram imolados sobre o altar de um “futuro”
que não seria deles, mas de outros. Quão
sensata era tal filosofia e quão nobre era esse pensamento? Se estivessem vivos
para ver o resultado de suas lutas, concluiriam que a liberdade do ponto de
vista concebido pelos homens não vai alem do que já foi escrito acima ___uma mera utopia. Por quê? Passaremos a entender nas linhas que
se seguem.
O que se
entende por Liberdade ou, antes, o que significa ser livre? Isso é algo difícil
de definir. Contudo, ao entendermos a que nos leva o suposto sentimento de
liberdade, então descobriremos que enquanto o homem for carne, jamais será um
Ser livre.
Para começo de
conversa, todos nós somos escravos de desejos, muitos deles impróprios, contra
os quais vivemos em uma batalha épica e em um sem número de vezes fomos
suplantados, vencidos por eles e acabamos no cativeiro da culpa e na prisão do
remorso. Até ai tudo bem, pelo menos aparentemente. Em determinados casos um
pedido de perdão sincero, motivado por um arrependimento genuíno pode sanar o
problema e nos libertar. Porém, acabamos aqui por nos tornar escravos de um
compromisso gerado pelo ato da confissão, que por sua vez é como a assinatura
de um documento que diz: não vamos mais passar por aquele caminho que nos
levaram até àquele ponto de nossa vida. Vê como é uma sucessão de prisões,
ainda que com nomes e condições diferentes? Ufh! Então estamos irremediavelmente
perdidos? No que depender única e exclusivamente de nós, é provável que não haja
cura. Mas, vamos esperar para ver. Continuemos em frente. Quem sabe não
acharemos uma brecha pela qual escapar? Mas continuemos do ponto em que
começamos ___as guerras pela liberdade e independência.
Quando falamos
em liberdade e independência, logo nos vêm à mente algo do tipo que aprendemos
nos livros escolares de histórias ou outros. Porém, o desejo de liberdade
transcende as histórias das várias nações do mundo e vai além da esfera
didática. O sonho de liberdade
___pode-se dizer ___é, ainda que inconscientemente o objetivo de cada homem
sobre esse vasto mundo, quiçá é um mundo a conquistar por cada homem em
particular, quer seja pequeno ou do tamanho do impossível. De fato, todos nos
estamos imbuídos nessa luta que, não duvide, durará até o último hálito de vida
de todos nós.
Pela liberdade
os homens mataram e morreram e, os que morreram como todo e qualquer que morre,
tornaram-se prisioneiros da sepultura e cativos da morte. Na sua luta criaram
nações e estabeleceram fronteiras e, por conseguinte, constituíram uma prisão,
ficando sujeitos a limites de territórios que para ser transposto necessário se
faz que esteja de posse de um documento que lhes permita ir e vir. Assim, além de ser cativo de
um limite territorial, é escravo de uma norma que só o faz livre para ir e vir
se estiver sujeito às normas que determinado documento regulamenta quanto a
sair e entrar pelas fronteiras que estabeleceram. Sem poder escapar, não do
ponto de vista humano, onde quer que o homem vá, faça o que fizer, continuará
um escravo; um prisioneiro em toda e qualquer instância que puder imaginar. Por
viver de necessidade, o homem é cativo de possuir. Ao adquirir, é se faz cativo
daquele de quem adquiriu que por sua vez é prisioneiro do adquirente e assim a
lista se estende aos limites da concepção daquilo de que se precisa ou que
mesmo se julgue necessitar na sobrevivência diária. Parece desesperador? Pode ser que sim, mas se tomássemos consciência
de quem realmente somos; de que, seja em que direção olhar, não há liberdade
real e verdadeira, talvez assim começássemos a forjar a liberdade com que
muitos sonharam e pela qual morreram e ainda morrem.
Do ponto de
vista co-relacional, os homens se escravizam por contratos de varias naturezas
que chegam, alguns, a durarem uma vida inteira e isso pela suposta “liberdade”
de poder decidir pelo que é bom para si mesmo. No âmbito da família não é raro
o filho se rebelar contra os pais porque quer ser livre das normas que regem a
família ___ironicamente uma forma de "cativância" ___e acaba por enveredar-se por
caminhos que julga ser de libertação, mas que acabam por levá-lo a outras
formas de cativeiro, na maioria das vezes cruéis e assassinas, dando-se
severamente mal.
Continua...

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