domingo, 27 de abril de 2014

Cativeiro e Liberdade

Continuação...

Parte IV


“Por que o salário do pecado é a morte...” Romanos 6: 23



Pelos meandros dos caminhos trilhados pelos homens na sua incessante busca pela conquista da liberdade, os percalços são inumeráveis. Sofrimentos terríveis e alegrias passageiras permeiam as linhas da história escrita pelos dedos do acaso durante sua jornada. Assim, pode-se dizer que aqueles que se engalfinham nas pelejas ainda hoje resistem numa sucessão sem fim de lutadores que caem e se erguem; que insanamente se empenham em uma luta que já começa sem vencedores e que prossegue assim até ao túmulo aonde se é encerrado no último estágio de todos os cativeiros vividos ao longo da existência, onde de fato cessam as penas daqueles que por toda a vida afligiram-se a si mesmo na busca de conquistas que não seriam para si, senão para aqueles que viriam depois.  Nesse caso considerar-mo-emos a morte como um privilégio e uma libertação para os escravos e encarcerados de sua existência turbulenta e repleta de disabores? Nada seria mais tolo que isso! A morte não é privilégio e nem mesmo libertação, mas sim o que diz exatamente o fragmento de texto retirado das Escrituras Sagradas, a bíblia, e transcrito acima. Sem meio-termo ou subterfúgios, o texto bíblico de Romanos 6 versículo 23 diz o que exatamente diz ___Os homens morrem porque a isso ficaram sujeitos desde o drama que se desenrolou no jardim do Éden e que já foi mencionado, ainda que sucintamente, em outra parte deste livro. Mas como pode ser isso? Como pode alguém cometer um crime e toda a sua geração ser culpada junto com o criminoso? Não duvide: Se alguém comete um crime, ainda que sua descendência não seja culpada na prática junto com este, contudo será referenciada como aqueles que vieram do fulano de tal que praticou certo delito. Assim, de certa forma, a descendência acaba levando a culpa do antepassado ou do parente criminoso. Em se tratando do “crime” cometido por “Adão e Eva”, de quem somos todos descendentes, a coisa muda completamente de figura e toma um rumo totalmente diferente ainda que muito parecido com o representado na rústica ilustração imediatamente acima. Porem eu não vou aqui entrar em pormenores ___quem sabe numa outra oportunidade ___deixando a todos e a qualquer que se interesse buscar as razões e os significados das coisas, pois tentar explicações muitos já o fizeram e pretender ser mais um ou querer ir além, não é o que gostaria jamais. De fato, a “pretensão” aqui, reconheço, é promover o pensamento e levar aqueles que tiverem acesso a esses escritos a um lugar muito além daquilo que lhes pareça comum e natural. Quero que todos se descubram como realmente são ___Cativos, cuja liberdade jamais será alcançada por meros meios físicos ou batalhas humanas!

Se viver como cativos é o estigma de todos os homens e morrer, a sua sina cruel, então o que há de importância em vir-se ao mundo e engendrar pelejas para que este se torne um “lugar melhor’? Esta, convenhamos, é uma boa pergunta. Porém, como viver de indagações é o mesmo que ser escravo da curiosidade; servo do desejo de saber, esta se torna mais uma das grandes perguntas que têm incomodado a mente dos homens através das Eras e não serei quem enfim vá respondê-la à atura de sua importância.

Com o enfileirar dos questionamentos que nos oprimem, e arrastados pelos desejos que nos consomem, decerto prosseguiremos em girar dentro de um círculo limítrofe onde aquele que parte, deixa ao recém-chegado a incumbência de prosseguir naquilo que começou em algum lugar no distante tempo dos homens sobre a terra ___Perguntar e desejar. E o lucro? Bem, esse redunda apenas naquilo que realmente é: Apenas perguntas e desejos. Por quê? Ora, porque ainda que tenhamos nossas perguntas respondidas, as respostas gerarão novos questionamentos, e ainda que todos os nossos desejos sejam satisfeitos, estes geraram outros. Querem um exemplo? Conclua que alguém lhe dê uma resposta que o convença do motivo pelo qual estamos aqui. Por acaso não quererá saber de onde foi que aquele alguém tirou resposta tão convincente? E ainda, imagine que seu desejo de ficar rico de uma hora para outra se concretize. Por acaso não passará a desejar que aquela vida de rico jamais acabe, ou que gostaria de viver eternamente para desfrutar da plenitude daquilo que muito desejou? E assim somos realmente escravos, repito. A liberdade do ponto de vista dos homens é um desejo impossível de concretizar, e ainda que se concretize, produzirá o medo de que um dia venha acabar. Assim sendo, sai-se de um pesadelo a outro e os anseios não têm fim.

Se voltarmos ao início do que se conhece do surgimento do homem sobre a terra, encontraremos, ao fim do drama a se desenrolar no jardim do Éden, uma boa explicação para as angustias sofridas pelos homens ao longo de sua vida. Chama-nos a atenção esse fragmento de texto: “Porquanto deste ouvido à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também te produzirão; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás”. Gênesis 3:17-19
Apropriadamente este trecho das Escrituras Sagradas retrata de forma muito objetiva o tipo e a origem das dores da humanidade. Assim, adquirir a peso de dores; e ajuntar  haveres à custa daquilo que poderia ser o mais almejado por cada um de nós ___paz interior ___nos é imposto e está longe de ser uma escolha como a princípio talvez pudéssemos imaginar.  Mas, diante de um quadro dessa natureza, quando aquele que dá a sentença é o próprio Criador do homem, sem dúvida alguma surgirá alguém para atribuir a Deus a culpa, então, por todos os males sofridos pelos homens. O que se pode fazer quanto a isso? Não se julgam os homens “livres” para fazerem e pensarem o que bem entenderem?  Então que pensem e digam o que quiserem! Contudo não se esqueçam de que, ainda que tenhamos aquilo que se chame de Livre-arbítrio ou liberdade para escolher ir em que direção melhor nos parecer, somos escravos do mal em nossa natureza. Ainda que queiramos praticar aquilo que é correto, o mal sempre estará lá a nos perseguir e induzir-nos ao erro. Assim sendo, se alguém quiser atribuir crueldade ao Criador em nos tratar de acordo com a justiça, mais culpados então nos tornamos por nossos desacertos. Enfim, a moral da história aqui é: O pagamento em troca de qualquer ação praticada é, e sempre será à altura do valor merecido. Nada há que não tenha seu preço e seu valor. Ainda que  nos pareça ser alto demais o preço que nos é requerido por qualquer ação, não nos resta alternativa senão acatar e pagar. Afinal, é apenas mais punhado na medida do escravo.


 Geraldo Ribeiro Filho





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