Continuação:
“Na esperança
de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a
liberdade da glória dos filhos de Deus”. Romanos 8: 21
Parte II
Mas alguém
diria: “Que enxurrada de asneiras e maluquices é essa? Bem, que sejam “livres”
para pensar o que quiserem, todavia não se esquecem que ser escravos de
questionamentos é algo que tem feito parte da jornada de todos nós nesta vida.
É, somos escravos na mente e no corpo. Quando soltamos pensamentos que parecem
nos fazer voar, de fato estamos tentando sair de um cativeiro que nos oprime e
que nós, ainda que de certa forma inconsciente, julgamos ser uma maneira de
sermos livres. De fato não há liberdade! Não nesta vida, e por isso levantamos
hipóteses de que, quem sabe, esta espere por nós além do dia em que partirmos
definitivamente do plano dos viventes. Tomara! Compartilho desse mesmo
sentimento e espero que haja um lugar onde cada homem possa ser completo em
toda a sua essência e viva realmente a liberdade com que tanto sonha. Mas, haja
vista não haver quem voltasse para relatar algo que nos faça cientes do que
será depois, continuamos como cativos das dúvidas, dos medos aterrorizantes,
castigados pela incerteza do será após o fechar das cortinas tendo sido
consumado o último Ato. O que podemos fazer à respeito? Eu digo. Resta-nos exercitar a Esperança e
darmo-nos como escravos desta que torna a vida um tanto quanto mais leve,
capacitando-nos a ir em frente. Pelo menos no que diz ser senhora, a Esperança
dá certo refrigério aos tormentos que nos consomem dia-a-dia, para os quais
inventamos e reinventamos maneiras de evitar, não sendo possível haja vista
haver em nós combustível que alimenta
a sua fonte incessantemente. Como
assim? Perceba que não há como viver sem que haja formas de sustentar aquilo que
mantém a chama desse mistério ___ a Vida ___acessa dentro de cada um de nós. Assim sendo, seguimos rituais que, antes de
serem aprendidos de nossos antepassados ou atos impressos pela natureza, são
nossa maneira de “cultuar” à vida com o que podemos chamar de oferendas que a
mantém acesa; presente em nós e não deixe-nos. Por isso, por termos a ciência
de que a Vida precisa de ações específicas de nossa parte para que sua chama
não se apague é que não nos importamos, embora às vezes lamuriemos bastante, de
nos entregarmos ao sol e à chuva para irmos atrás daquilo de que precisamos
para viver. Julgaria você ser isso algo natural? Pode até parecer sim, mas eu
digo que não é! Por quê? Para os que acreditam nas “Escrituras Sagradas” dos
cristãos, vamos retornar algum tempo na história e falar um pouco sobre aquilo
que ___se crê ___lançou as bases para a carceragem em que foi trancada toda
humanidade. No livro de Gênesis, ou livro dos inícios, lê-se que houve um
momento na história dos homens em que um episódio em especial marcou o começo das
calamidades as quase sofrem os humanos ao longo de sua existência no mundo. Sei
que muitos não acreditam no relato, mas mesmo assim atrevo-me a mencioná-lo aqui
para que vejam por si mesmos que, embora talvez não sendo daqueles que
acreditam, faz todo sentido aquilo que se subtende da escritura. ___Para os que
quiserem saber, o relato se acha no livro de Gênesis capítulo 3 do versículo 1,
indo até o versículo 23. ___Um drama se desenrola no lugar que a bíblia chama
de jardim do Éden. Os atores da peça, onde Deus obriga-se a crítico e juiz do
desempenho final de cada um, são Adão, sua mulher Eva e a serpente, esta última
a vilã da história, que inicia um debate sobre o que estaria por trás das palavras
ditas por Deus ___”no dia em que dela comerdes certamente morrerás” ___e acaba levando
o casal àquilo que, acredita-se, trouxe todos os males em que a humanidade se
encontra atolada. Seria absurdo crer que de algo supostamente ocorrido a
milênios advém as amarguras e dores dos homens e, por conseguinte, o seu inexorável cativeiro? Acreditem se quiser. Eu,
porém, acredito e estou certo de que faz todo sentido as palavras escritas
naquela parte das escrituras sagradas à respeito desse assunto. Contudo não
quero me deter em questões e conclusões cujo direito de refutar ou não, está
nas mãos de outrem, entretanto achar que “direito” é algo subjetivo como o é a “liberdade”
que se diz possuir. Por isso vamos em frente
e continuemos para o objetivo destas linhas amontoadas uma sobre as outras, que
não são mais que os impulsos desordenados de uma mente que, cativa de uma
multidão de pensamentos e conclusões, deseja expor o interior confuso das
muitas idéias ao redor das quais, como planetas miúdos, orbitamos, procurando
um lugar que seja nosso e que realmente nos dê sentido.
Continua...

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