Continuação...
Parte III
“Se,
pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. João 8:36
Geraldo Ribeiro Filho
Embora
orbitemos em torno de um “sonho de liberdade”, não cabe a nós libertar-nos a
nós mesmo. O fragmento de texto bíblico acima diz isso. De fato vemos a
libertação como algo obliquo, quando na verdade ser livre tem uma abrangência
que vai muito além do que aparentemente vemos. Então a liberdade existe? Sim,
embora do ponto de vista meramente humano seja apenas uma utopia. O que quer
dizer? Bem, nós vemos apenas o que vemos, mas há muito mais que ser visto e o
que está além é o que realmente contém substância e, portanto, é verdadeiro.
Vivendo
de limitações, presos ao tempo e este, inexorável que é, não nos permite galgar
todos os degraus que gostaríamos. Assim, chegamos e saímos sem que possamos ser
ou ter aquilo que gostaríamos. E, eu diria, esta é das piores torturas
infligidas aos homens durante a sua existência de cativeiro. Como um exator
implacável, o Tempo chama-nos a seguir o seu curso, mas impossível que é, o
resultado redunda em sofrimentos e anseios que fazem doer a alma. Há o que
fazer diante disso? Ora, onde já se viu um escravo decidir sobre o que fazer,
senão que deve seguir o correr das coisas e obedecer a seu senhor, cumprindo
todas as tarefas que lhe são designadas? Desse modo sua vontade é apenas algo a
mais no conjunto de seus Sentidos sobre o que não há domínio.
De
escravos do tempo damos um salto à escravidão do estigma da morte. À espreita,
esta inimiga implacável, sorrateira pode atacar ao próximo passo e ainda assim
nos apressamos na jornada, ansiando pelo amanhã que ___imaginamos ___trará algo
melhor; quem sabe a tão sonhada libertação:
financeira, do patrão; dos pais; da doença
que aflige...? O rosário de desejos, anseios e sonhos não tem fim e por
causa de uns nos tornamos escravos de outros e por ai vai. Não duvide! Somos
prisioneiros e quando achamos que fomos soltos, o que se fez foi apenas a
transferência de um cárcere para outro. Acreditem, e que fiquem cientes os
desavisados cujo ímpeto suicida os coloca cara a cara com a morte na sua ânsia
por alívio: Nem a morte pode ser a libertação, haja vista nos lançar no
cativeiro da sepultura donde sair, só por um milagre!
Felizmente
para os tem fé genuína, um “tipo” de Libertação paira sobre sua alma e o faz
tranqüilo diante de situações desesperadoras. Porém, não se enganem, não falo
do tipo de “fé” que hoje superlotam as “igrejas”, mas daquela “Fé” cuja força e
certeza levaram homens e mulheres do passado distante a realizarem atos que
atravessaram a história e chegaram até nossos dias e que, não duvidem,
perdurará pelo futuro até muito distante. Sobre a fé daqueles, saibam que o
poder foi além dos limites da compreensão e talvez por isso, ao nos compararmos
com eles, julguemos serem eles melhores do que nós e, portanto, o fato de
conseguirem ir tão longe, para não dizer ao extremo em suas demonstrações de
crença. Contudo saibam que aqueles em nada eram melhores que nós em matéria de
humanidade e imperfeições. Eles padeciam das mesmas ansiedades que nós e viviam
sob as mesmas condições de tentações e duvidas, sendo eles, como nós mesmos,
cativos de seus medos e buscas incessantes. Sendo feitos do mesmo “barro” que
nós, aqueles sem dúvida passaram por dificuldades e provas talvez até mais duras
que as que sofremos devido às condições materiais em que viviam e da distancia
em que se achavam do avanço tecnológico. Mas o que isso tem a ver com a fé?
Acredite, tem muito a ver. Naqueles dias, ficar sabendo de algo era passível de
levar dias ou até meses. Hoje, têm-se as novidades ao vivo e no momento em que
estão acontecendo. Quando naquele tempo a Palavra de Deus era levada por boca
ou por carta, hoje esta viaja via satélite e chega em questões de segundos aos
ouvidos de todas as nações. Entretanto, está aí outro pormenor em que não quero
me deter, mas deixar que as conclusões se tirem por si, aqueles que o desejarem
ou julgarem ser importante.
No que
tange achar a libertação promovida pela Fé, é necessário que se empenhe na
busca por esta tanto quanto se empenha, ou mais, na busca instigada por anseios
fúteis e passageiros. Privilegiada em oposição a qualquer bem que se possa alcançar
ou desejar, a genuína Fé conduz-no ao estado de ser capaz de permanecer inabalável
na esperança daquilo que não se pode provar pela ciência natural. Certo de que aquilo
que se não vê está lá, ainda que não possa ser visto. Foi firmado nesse tipo de
Fé que aqueles notáveis do passado puderam, ainda que peregrinos e forasteiros em
terra que não era sua, seguir adiante na esperança de sua libertação. Contudo, podiam
dizerem-se livres porque ainda que peregrinos e forasteiros em terra estranha, tinham
bem firmes a certeza de uma “Pátria” futura, Pátria da qual poderiam dizer realmente
suas. De fato, eram livres na mente por terem a esperança promovida pela Fé.
Continua...

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